A empresa do ramo alimentício BRF está colaborando com as investigações da 4ª fase da Operação Carne Fraca, que teve início nesta terça-feira (1). A ação da Polícia Federal apura os supostos pagamentos de propinas da BRF a 60 fiscais agropecuários federais. O montante total da propina é estimado em R$ 19 milhões.
O auditores fiscais investigados são de diversos estados. Aproximadamente 280 policiais federais estão cumprindo os 68 mandados de busca e apreensão, relacionados aos receptores de propina da BRF, em nove estados. Os estados que estão incluídos na operação são:
- Goiás;
- Mato Grosso;
- Minas Gerais;
- Pará;
- Paraná;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Sul;
- Santa Catarina;
- São Paulo;
Os mandados foram decretados pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa, localizada no Paraná. As supostas práticas inadequadas pela BRF são referentes a anos anteriores ao de 2017, quando deflagrou-se a primeira fase da Operação Carna Fraca.
De acordo com informações do “Paraná Portal”, um dos mandados cumpridos será feito na companhia União Avícola, localizada no Mato Grosso. A empresa é suspeita de intermediar os pagamentos da BRF aos auditores fiscais.
BRF vende parte em empresa asiática
Em setembro, a BRF anunciou que vendeu à SATS Food PTE a sua fatia de 49% que mantinha na SATS BRF Food PTE Ltd. A empresa é uma joint-venture e foi elaborada pelas duas companhias em 2015. Atua em Cingapura, na Malásia.
Em nota, a BRF disse que foram pagos S$ 17 milhões, o que equivale, atualmente, a R$ 51 milhões. O negócio prevê a criação de um novo contrato de distribuição e licenciamento da SATS às marcas pertencentes pela BRF.
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Segundo a direção da companhia, a alienação divulgada faz parte de seu projeto de reestruturação, anunciada em 29 de junho do ano passado. O objetivo é acelerar a desalavancagem financeira da empresa e concentrar seus esforços em países-chave como o Brasil e em segmentos como o mercado Halal.
No momento da formação da parceria com a SATS, em abril de 2015, a empresa brasileira investiu US$ 19 milhões. Na cotação da época, o valor era equivalente a R$ 57,190 milhões, mais do que o recebido na transação deste ano.
De acordo com o diretor global de assuntos corporativos da BRF, Marcos Jank, a intenção era comercializar produtos de valor agregado em Cingapura, deixando de ser apenas uma companhia de proteína.