Dividendos da Petrobras (PETR4) ficaram abaixo do esperado?
A Petrobras (PETR4) divulgou seus resultados do quarto trimestre e, de acordo com o Goldman Sachs, os números trouxeram surpresas negativas para o mercado.
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O principal ponto de atenção, segundo a casa, foi o volume de investimentos (CAPEX) no período, que somou US$ 5,7 bilhões – mais que o dobro da projeção do Goldman Sachs (US$ 2,5 bilhões) e bem acima do teto do guidance revisado para o ano, de US$ 14,5 bilhões.
A companhia atribuiu esse aumento ao adiantamento de investimentos que estavam previstos para 2025, justificando a decisão como uma forma de mitigar riscos de atrasos e acelerar a entrada de novas plataformas FPSO.
No entanto, a ausência de uma redução no CAPEX de 2025 e a manutenção das metas de produção indicam que essa estratégia pode não resultar em maiores dividendos nos próximos anos, diz o relatório.
Dividendos abaixo do esperado
O impacto direto do CAPEX elevado, aliás, foi sentido no pagamento de dividendos da Petrobras. A estatal anunciou um montante de R$ 9,1 bilhões (cerca de US$ 1,6 bilhão), abaixo dos US$ 2,4 bilhões projetados pelo Goldman Sachs.
Mesmo com um fluxo de caixa operacional acima das projeções, os analistas explicam que o pagamento de dividendos foi impactado pela política de remuneração da Petrobras, que destina 45% do CFO ajustado pelo CAPEX aos acionistas.
Com isso, o dividend yield da Petrobras segue em torno de 13%, com expectativa de US$ 12 bilhões distribuídos em 2025.
Reação negativa do mercado e preocupações com intervenção
O Goldman Sachs prevê uma reação negativa dos investidores em relação às ações da Petrobras, diante do menor dividendo e do aumento expressivo dos investimentos.
A manutenção do guidance de CAPEX para 2025 em US$ 18,5 bilhões sem revisão para baixo pode ampliar as preocupações sobre uma possível interferência governamental na empresa, diz a casa.
O relatório destaca, contudo, que as leis e o estatuto da PETR4 oferecem proteções contra interferências políticas. Além disso, grande parte das novas unidades de produção da estatal são construídas no exterior, o que relativiza o argumento de que os investimentos adicionais impulsionariam o crescimento do PIB brasileiro, afirmam os analistas.
Apesar das incertezas, o Goldman Sachs mantém sua recomendação de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 45,40 para PETR3 e R$ 41,30 para PETR4.