Mesmo com queda em relação ao mês passado, prévia da inflação preocupa
O IPCA-15, a prévia da inflação, registrou uma alta de 0,64% em março, abaixo das expectativas do mercado, que era de 0,70%. Mesmo com o número vindo menor que em fevereiro, quando subiu 1,23%, os dados preocupam, dizem economistas.

Na visão de Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, o destaque dessa divulgação é que o número vem melhor do que o esperado, mas a dinâmica da inflação ainda segue muito desafiadora.
Do lado positivo, o núcleo da inflação e bens industriais registraram um crescimento mensal menor em comparação a fevereiro. E, o índice de difusão, que reflete quanto a inflação está espalhada na economia, arrefeceu na margem.
No entanto, a inflação ainda segue um momento muito ruim. Nos últimos 12 meses, o índice voltou a subir, passando de 4,96% para 5,26%, acima do limite superior da meta de inflação, que é de 4,5% ao ano.
Barbosa comenta que a dinâmica de serviços, principalmente, segue bastante desafiadora, que é reflexo da atividade ainda muito aquecida e dos demais fundamentos pressionados.
A inflação segue fora da meta, virando um “problema” para o Banco Central
Na mesma linha, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, lembra que dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, todos registraram variações positivas.
Os destaques foram Alimentação e Bebidas e Transportes, que apresentaram altas de 1,09% e 0,92%, contribuindo com 0,24 p.p. e 0,19 p.p. para o índice, respectivamente. Segundo o IBGE, juntos, esses dois grupos responderam por dois terços da variação do índice no mês.
Além disso, o economista da AZ Quest lembra que o mercado de trabalho também se mostra muito aquecido, com rendimentos em alta, mostrando que a economia segue operando acima do seu potencial, refletindo numa inflação de serviços muito elevada e em patamares incompatíveis com a meta.
Na visão de Sung, alguns pontos também podem dificultar o trabalho do Banco Central, como por exemplo, as recentes medidas do governo para evitar um esfriamento da economia, dado que elas podem limitar a desaceleração ou até mesmo intensificar a inflação.
Entre elas, estão a expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, a liberação do FGTS, reajuste do salário-mínimo e possível antecipação da 13ª parcela do INSS, destaca o economista.