A retaliação anunciada nesta sexta-feira (4) pela China ao tarifaço dos Estados Unidos impactou diretamente no Ibovespa, que opera em queda superior a 3%, abaixo de 127 mil pontos, desde a abertura em 131.139,05 pontos. Às 11h51, o índice da B3 registrava 126.509,10 pontos, recuo de 3,53%.
“Os últimos três dias foram complicados. As tarifas americanas afetam uma cadeia de suprimentos como um todo no mundo. Vemos desastre dos mercados. O lado bom é que o Brasil ficou com a taxa mínima de 10%. Dos males o menor”, diz Pedro Moreira, sócio da One Investimentos. “Hoje há uma realização forte do Ibovespa”, completa Moreira. Em março, o principal indicador da B3 subiu 6,08%.
Já as bolsas norte-americanas caem em torno de 3,50% e as europeias acima de 4,00%, com o petróleo recuando até 8,00%. Não houve negociação nesta sexta com o minério de ferro em Dalian, na China, por feriado. ADRs de empresas chinesas despencam em Nova York.
“O impacto maior é para os Estados Unidos e para a China”, avalia Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. “Continua a tese que o Brasil se beneficia disso”, completa, mas ponderando que o lado ruim é que efeitos sobre a economia americana e chinesa contaminam o crescimento global no médio e longo prazo.
No Brasil, tampouco a queda dos juros futuros na esteira dos rendimentos dos Treasuries alivia, dado o temor de um desaquecimento abrupto nos EUA com impactos em todo o planeta. Neste cenário, o dólar já subiu à máxima de R$ 5,7904 após ontem ceder ao menor nível desde outubro.
Enquanto as bolsas em Nova York tiveram na quinta a maior queda desde março de 2020 com o tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, o Ibovespa fechou com recuo de 0,04%, aos 131.140,65 pontos, com baixa de 0,58% na encurtada primeira semana de abril.
A despeito da visão de que o Brasil tende a ser menos afetado pela imposição de tarifa mínima de 10% pelos EUA, enquanto outros países como a China foram sobretaxados em 34%, o temor de desaquecimento mundial contamina principalmente a Bolsa e o dólar. Pela manhã o governo chinês contra-atacou.
A China anunciou que vai impor tarifas de 34% a todos os bens importados dos Estados Unidos após o tarifaço de Trump, a partir do próximo dia 10. Ainda, o gigante asiático suspendeu importações de duas empresas de carne de aves dos EUA.
“As duas maiores economias acabam de efetivar uma guerra comercial“, diz Alison Correia, analista de investimentos e sócio-fundador da Dom Investimentos.
A notícia acentuou as perdas dos índices de ações internacionais, dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, que renovou mínima ao menor nível em três anos. A commodity chegou a ceder mais de 8% em Nova York e perto dessa marca em Londres. Mas depois da divulgação do payroll, com uma geração de vagas de emprego acima da esperada nos EUA, os mercados acionários reduziram as perdas assim como o petróleo. Depois, voltaram a piorar na esteira das afirmações de Trump.
Com Estadão Conteúdo
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