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Ibovespa fecha em queda de quase 3% e retorna a 127 mil pontos em meio a incerteza global

Ibovespa. Foto: iStock

Ibovespa. Foto: iStock

O Ibovespa teve fechou nesta sexta-feira (4) em queda de 2,96%, aos 127.256,00 pontos, retrocedendo a nível de meados de março, com giro muito reforçado, a R$ 31,8 bilhões. Foi a maior queda do principal índice de ações da B3 desde 18 de dezembro.

Na semana, a perda de 3,52% foi a maior para o índice da B3 desde a semana de 12 a 16 de dezembro de 2022. No agregado das quatro primeiras sessões de abril, cai 2,31% – no ano, sobe 5,80%.

O ritmo seguiu as principais bolsas do mundo, ainda que com menor intensidade, depois da retaliação da China aos Estados Unidos, ao anunciar tarifa de 34% para as importações de produtos norte-americanos, a mesma anunciada por Donald Trump durante a semana.

Se, na quinta-feira, o desempenho de bancos e de ações associadas ao ciclo doméstico havia sido o suficiente para manter o Ibovespa perto do zero a zero – em dia que já havia sido de correção global -, nesta sexta, a disseminação de perdas foi inevitável.

Como na quinta, destaque no campo negativo para Vale (VALE3, -3,99%) e Petrobras (PETR3, -4,19%; PETR4, -4,03%), com o prosseguimento da correção no petróleo. Os barris do Brent e do WTI, que na quinta haviam cedido mais de 6%, fecharam nesta sexta em baixa de 6,50% (Brent) e de 7,41% (WTI), em Londres e Nova York, nos níveis mais baixos desde 2021.

Na Ásia, o minério, na quinta em perda discreta, nesta sexta cedeu 2,35% em Cingapura, abaixo de US$ 100 por tonelada – em Dalian, não houve negócios por causa de feriado e, em Qingdao, a queda foi de 1,1%.

Durante a sessão em Londres, o petróleo tipo Brent, referência global, rompeu o suporte de US$ 65, aponta Ian Toro, especialista de renda variável da Melver. Pela manhã, a divulgação do payroll, o relatório oficial sobre a geração de vagas de trabalho nos EUA em março, contribuiu para acentuar a tensão do dia, destaca também o analista.

“Esperava-se 140 mil novas vagas, mas vieram 228 mil. Embora sinalize força do mercado de trabalho americano, a leitura de março reacende o debate sobre a calibragem da política monetária nos Estados Unidos”, acrescenta.

Ibovespa: altas e baixas do dia

Bolsas norte-americanas despencam

Em Nova York, os principais índices acionários estenderam as perdas do dia anterior: o Dow Jones caiu 5,50%, aos 38.314,86 pontos; o S&P 500 cedeu 5,97%, aos 5.074,08 pontos; e o Nasdaq recuou 5,82%, aos 15.587,79 pontos, entrando em “bear market” com queda de mais de 20% desde seu recorde em dezembro.

No Brasil, o mercado, que já havia chegado a projetar Selic terminal abaixo de 15% ao ano, volta a trabalhar com a taxa de juros em torno deste nível, com chances majoritárias de uma nova alta de 0,50 ponto porcentual, aponta Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital. “Foi mais um dia de grande incerteza, em que fatores externos falaram mais alto e deixaram o mercado dividido entre o risco inflacionário e o medo de uma freada brusca na economia global”, acrescenta.

No payroll desta sexta-feira, “a criação de mais vagas do que o esperado foi um tanto quanto ofuscada pelas revisões e pelo aumento da taxa de desemprego”, diz Lucas Serra, analista da Toro Investimentos. “O avanço no ganho médio por hora trabalhada não surpreendeu, não devendo representar maiores impactos inflacionários no curto prazo. É possível dizer que o mercado de trabalho permanece forte nos EUA, apesar da deterioração marginal de alguns indicadores.”

Apesar da atenção que o mercado costuma conferir às leituras oficiais sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, o assunto do dia foi mesmo a retaliação da China – no olho por olho, dente por dente.

“A grande questão, hoje, passa a ser China e a retaliação anunciada aos Estados Unidos. Na quinta, o dia tinha sido favorável às moedas de emergentes, em movimento também em parte especulativo. O cenário era de preocupação com recessão nos Estados Unidos, o que havia tirado força do dólar naquela sessão. Aqui há também outras questões específicas, domésticas, como a situação fiscal. É preciso esperar para ver como ficará a relação Estados Unidos-China daqui para frente”, diz Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

“O Ibovespa perdeu a região dos 130 mil pontos, com pressão tanto na Bolsa como no câmbio. Tarifa da China passa a valer em 10 de abril, e Trump já reagiu, dizendo que o país asiático jogou errado ao retaliar. Incerteza bate na expectativa para Bolsa e câmbio. Inflação nos Estados Unidos continua acima da meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve. Ponta de juros deve seguir pressionada por algum tempo, com um ambiente mais difícil, também, para a geração de caixa das empresas”, diz Bruna Centeno, economista, sócia e advisor na Blue3 Investimentos.

“Daqui para a frente a gente vai ver muito diálogo, as pessoas conversando sobre essas tarifas, antes de retaliarem, outros retaliando pra depois conversar, isso tudo pode provocar uma conversão, convergir para algum acordo generalizado, ou pode partir pra uma Europa se fechando entre ela, uma Ásia entre eles, ainda tem muita coisa por acontecer”, conclui Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.

Com Estadão Conteúdo

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