Como proteger seus investimentos das incertezas do “tarifaço” do Trump?

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implantou uma série de tarifas com o potencial de afetar o comércio internacional. Anunciadas na última quarta-feira (2), as tarifas de importações variam entre 10% e 50%. Diante disso, o mercado financeiro dos mais diferentes países apresentaram volatilidade nos preços e quedas expressivas. Como proteger seus investimentos diante de tais incertezas?

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Na visão de Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, o cenário de queda das principais bolsas de valores do mundo. “Os índices S&P, Dow Jones, Nasdaq, também caíram. O VIX, índice do medo, subiu. O petróleo também caiu, mesmo não taxando nada relacionado ainda a esse tipo de commodity. 

Na opinião do especialista, isso acontece porque muitos esperam que as economias vão parar de crescer ou vão experimentar uma desaceleração de crescimento. 

Obviamente, os investidores se preocupam com o impacto econômico negativo da disputa comercial, prevendo um cenário complicado para a economia global

A Investo, gestora independente de ETFs, destaca que uma opção interessante para o momento é o investimento em ouro. “As tarifas mais altas do que os mercados globais projetavam favorecem a cotação do ouro, pois aumentam as tensões geopolíticas e a incerteza comercial”, comenta a gestora. 

“Além disso, o ouro tem baixa correlação com o mercado de ações e tende a valorizar em momentos de estresse, consolidando-se como ativo de refúgio seguro”, destaca. Um dos produtos citados é o GLDX11, com lastro em barras de ouro.

Produtos de renda fixa ganham atratividade, mas também há espaço para a bolsa de valores

Ativos mais conservadores ganham relevância em momentos de turbulência do mercado. Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, comenta que os títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo são uma ótima alternativa, pois são considerados investimentos de baixo risco e oferecem proteção em períodos de incerteza econômica.

Ele comenta que uma pesquisa recente do Bank of America indicou que 9% dos gestores de fundos acreditam que esses títulos têm bom desempenho durante guerras comerciais. ​

Imóveis e até mesmo FIIs, podem preservar valor, especialmente em países com inflação controlada, e ações de setores defensivos, empresas de utilidades públicas, saúde e alimentos tendem a ser mais resilientes nesse cenário.

Outra opção são os fundos de crédito privado, que alocam recursos em títulos de dívida emitidos por instituições financeiras, empresas e securitizadoras. Dessa forma, esses papéis podem ser indexados ao CDI ou à inflação, com uma rentabilidade extra atrelada ao risco de crédito de cada operação.

“Como uma boa parte dos títulos é indexada ao CDI, e estamos vivendo um cenário de juros reais elevados, o retorno nominal dos títulos de crédito privado fica mais atrativo”, destaca a AZ Quest em relatório.

Isso não significa que os ativos de risco listados nas bolsas de valores devem ser descartados. 

Patzlaff conclui que antes de realizar novos aportes em ações, os investidores devem avaliar sua tolerância ao risco, compreender sua capacidade de suportar perdas potenciais é crucial, além de diversificar a carteira para reduzir a exposição a riscos específicos. Nesse cenário, manter uma perspectiva de longo prazo é fundamental. 

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Gustavo Bianch

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