BRF (BRFS3) fortalece balanço, mas ciclo de margens pressiona

A BRF (BRFS3) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2024, mostrando avanços estratégicos importantes, mas enfrentando desafios no ciclo de margens. O BTG Pactual destacou que, apesar de um EBITDA de R$ 2,8 bilhões e uma margem de 16,6%, o número ficou 7% abaixo das expectativas da casa, que já estavam abaixo do consenso de mercado.

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No mercado doméstico, o crescimento de receita foi um dos destaques positivos do trimestre. O volume de vendas aumentou 12% na comparação anual, e a empresa conquistou uma participação de mercado de 40,8% — a primeira vez que BRFS3 ganha market share desde sua criação.

No entanto, a melhora na demanda não se traduziu em expansão de margens. A margem operacional caiu 190 pontos-base no trimestre, para 14,7%, levando o EBITDA do Brasil a ficar 10% abaixo da estimativa do BTG, em R$ 1,3 bilhão.

A casa credita que algumas linhas de produtos, como margarina, já começaram a sentir o impacto de custos mais elevados. No segmento internacional, a queda nos preços do frango e o aumento de despesas denominadas em dólar impactaram a margem operacional, que recuou 180 pontos-base no trimestre, para 20,4%. No consolidado, os custos unitários subiram 6% na comparação trimestral, enquanto os preços médios avançaram 4%.

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A BRF fechou o trimestre com uma dívida líquida ajustada de R$ 13,4 bilhões, um aumento de R$ 1,6 bilhão no trimestre, mesmo com a geração de R$ 1,2 bilhão de fluxo de caixa livre. Esse aumento se deveu a R$ 1,6 bilhão em retornos de caixa e ao impacto cambial sobre a dívida.

A companhia anunciou um novo programa de recompra de ações BRFS3 de até R$ 285 milhões, mas surpreendeu ao não distribuir novos dividendos. O BTG apontou que o aumento dos investimentos, com um capex de R$ 1 bilhão no trimestre (R$ 3,3 bilhões no ano), indica que a empresa está se preparando para uma nova fase de crescimento.

Apesar das melhorias estruturais da BRF nos últimos dois anos, o BTG manteve sua recomendação neutra para as ações da BRF.

Segundo o relatório, as expectativas e as avaliações de mercado ainda parecem elevadas, especialmente em um momento de normalização do ciclo de margens. A casa prefere adotar uma posição cautelosa sobre a BRF, aguardando um ponto de entrada mais atrativo para equilibrar melhor o risco e o retorno.

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Guilherme Serrano

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