O Brasil não conseguiu ampliar a sua planta de frigoríficos habilitados a exportarem para a China. De acordo com o “Valor Econômico”, após reunião da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, com ministro chinês, não ocorreram os avanços esperados.
A expectativa era de que a reunião resultasse em um acordo para liberação imediata de frigoríficos que podem exportar carne bovina à China. De acordo com fontes do setor privado ouvidas pelo jornal, isso não ocorreu.
Pequim havia anunciado recentemente a intenção de ampliar a lista de frigoríficos brasileiros liberados para exportação. A previsão era de que as plantas que já exportam para a Europa fossem mais facilmente habilitadas. Isso porque o mercado europeu é exigente com as questões sanitárias, o que daria mais confiança aos chineses.
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Mal-estar com frigoríficos menores
A ministra da Agricultura criou um mal-estar com os frigoríficos de porte menor de produção. Isso porque Tereza Cristina defendeu publicamente a ideia de dar prioridade aos grandes, que já exportam para a Europa.
O caso gerou incômodo e mobilizou até a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O órgão acusou o governo de privilegiar os grandes produtores nas negociações.
De acordo o “Valor”, fontes informaram que a reunião não foi de toda sem resultados. Assim, como produto do encontro, a ministra teria conseguido um acordo para padronizar as regras de habilitação de frigoríficos para exportar à China.
O Brasil tenta habilitar mais de 70 plantas para exportação ao mercado chinês. Dentre as carnes produzidas pelos frigoríficos estão:
- bovina;
- suína;
- aves.
Por sua vez, a China também busca benefícios ao país na negociação. Os chineses querem, como contrapartida, um acordo de exportação de pescados para o Brasil.
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A visita da ministra da Agricultura foi a abertura das conversas comerciais e diplomáticas do governo brasileiro com autoridades chineses. Dessa forma, o vice-presidente, Hamilton Mourão, deve ser o próximo a se reunir com representantes do governo.
O general viaja para o país asiático na próxima semana, quando participará da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Além disso, o presidente Jair Bolsonaro também tem uma viagem marcada para a China no mês que vem.