Bolsas da Ásia fecham em queda após “tarifaço” de Trump; Tóquio lidera perdas
As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quinta-feira (3), um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, impor pesadas tarifas recíprocas a importações globais. Produtos da China e de Taiwan foram particularmente penalizados.

Liderando as perdas na Ásia, o índice japonês Nikkei caiu 2,77% em Tóquio, a 34.735,93 pontos, sob o peso de ações de chips e de bancos, enquanto o Hang Seng recuou 1,52% em Hong Kong, a 22.849,81 pontos, e o sul-coreano Kospi cedeu 0,76% em Seul, a 2.486,70 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto teve perda modesta, de 0,24%, a 3.342,01 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 1,10%, a 1.992,39 pontos. Destacaram-se negativamente ações de eletrodomésticos, produtos de consumo e hardware.
Na quarta-feira (2), Trump anunciou tarifas de 34% para a China, que se somam à tarifação de 20% já em vigor. No caso de Taiwan, as tarifas chegam a 32%. O mercado taiwanês, porém, não operou nesta quinta em função de um feriado.
Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho em reação ao tarifaço de Trump, depois de acumular ganhos por dois pregões seguidos. O S&P/ASX 200 caiu 0,94% em Sydney, a 7.859,70 pontos.
Bolsas da Europa abrem em queda
As bolsas europeias operam em forte baixa desde a abertura dos negócios desta quinta-feir, também sob o impacto dos anúncios de Trump. Por volta das 9h30 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 tinha queda de 2,06%, a 525,88 pontos.
Entre os anúncios de Trump incluíram-se tarifas de 20% para bens importados da União Europeia (UE) e de 10% para produtos do Reino Unido. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que a UE está finalizando contramedidas para responder ao tarifaço de Washington. Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que reagirá com a “cabeça fria e calma” ao anúncio de Trump.
A questão das tarifas também compromete a perspectiva dos juros. Em discurso mais cedo, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, disse que incertezas ligadas ao impacto de tarifas e de tensões geopolíticas exigem que o BCE seja “extremamente “prudente” na condução da política monetária.
Com as atenções voltadas para o tarifaço de Trump, dados econômicos europeus ficaram em segundo plano. Os PMIs de serviços referentes a março da Alemanha e da zona do euro como um todo foram revisados para cima, mas o do Reino Unido sofreu revisão para baixo.
Às 9h30 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 1,39%, a de Paris recuava 2,71% e a de Frankfurt cedia 2,05%. Já a de Milão tinha perdas de 2,38%.
Com Estadão Conteúdo