Novo CEO da Ambev (ABEV3) cita Skol como foco de retomada

A Ambev (ABEV3) realizou sua teleconferência de resultados do 4T24, e o evento marcou a primeira participação de Carlos Lisboa como CEO da companhia. O executivo destacou sua surpresa positiva com a transformação do portfólio da empresa nos últimos cinco anos, o que, segundo ele, deve sustentar a expansão das margens no futuro.

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O executivo ressaltou que a ABEV3 segue a mesma mentalidade da Middle America Zone (MAZ), focada em liderança, digitalização e otimização dos negócios. Além disso, mencionou que a empresa tem conseguido impulsionar o crescimento da categoria de cerveja, mas que esse avanço pode ser acelerado. A estratégia de premiumização, já aplicada em mercados internacionais, continuará sendo um dos pilares da Ambev no Brasil.

Um dos pontos mais debatidos na conferência foi a estratégia para a marca Skol. A cerveja, que é líder em 17 dos 26 estados brasileiros e esteve presente no consumo de 50% dos brasileiros nos últimos três meses, registrou um crescimento de 15% entre 2019 e 2023. No entanto, em 2024, os volumes apresentaram uma desaceleração.

Segundo a Ambev, a estratégia para a marca não mudará, mas passará por ajustes. A empresa pretende fortalecer a Skol dentro do segmento “core” para que os produtos das categorias “core plus” e premium” (como Budweiser) se tornem ainda mais rentáveis. Além disso, a Ambev vê potencial de crescimento para o mercado de cervejas zero álcool, segmento que deve ganhar espaço entre os consumidores.

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Desafios e perspectivas para 2025

O Bank of America fez pequenos ajustes em suas projeções após os resultados do quarto trimestre. O preço-alvo para as ações da Ambev foi elevado de R$13,2 para R$13,4 e a recomendação neutra foi mantida.

No entanto, a casa reduziu sua expectativa de crescimento de volume para o segmento de cerveja no Brasil em 2025, passando de 2% para apenas 0,5%. Além disso, os custos por hectolitro devem aumentar 7%, refletindo um ambiente mais desafiador para a companhia, projeta o relatório.

O BofA justifica a recomendação destacando fatores como pressão de custos, aumento da concorrência e desaceleração do consumo como desafios para 2025 e 2026. A empresa negocia a um múltiplo de 12 vezes o preço sobre o lucro (P/E), um desconto de 26% em relação à AB InBev, mas ainda sem fornecer novas diretrizes sobre dividendos ou recompra de ações.

Diante desse cenário, diz o relatório, a Ambev aposta em ajustes estratégicos para manter a liderança no setor e sustentar suas margens, com um olhar especial para a recuperação da Skol e o avanço do portfólio premium.

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Guilherme Serrano

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